CUB ou SINAPI servem para estimar quanto custa construir por m²: o CUB, publicado pelo Sinduscon de cada estado, é a referência do mercado imobiliário; o SINAPI, da Caixa e do IBGE, é a referência de obras públicas e traz composições detalhadas. O INCC, da FGV, mede a variação do custo e serve para reajustar contratos. Em agosto de 2026, o m² do SINAPI foi R$ 1.993,76.
O que é cada índice
CUB, SINAPI e INCC medem custo de construção, mas cada um nasce de uma fonte, com um método e uma finalidade. Misturá-los é o caminho mais curto para uma estimativa errada ou uma cláusula de reajuste discutível.
| Índice | Quem calcula | O que mede | Unidade | Base de referência |
|---|---|---|---|---|
| CUB/m² | Sinduscon de cada estado, com dados reunidos pela CBIC | Custo por m² de projetos-padrão de edificação definidos em norma | R$/m² por padrão (ex.: R8-N, residencial de 8 pavimentos, padrão normal) | Lei 4.591/1964, art. 54, e ABNT NBR 12721 |
| SINAPI | IBGE (pesquisa de preços) e Caixa (engenharia) | Custo médio do m² e preços de insumos e composições por estado | R$/m² e preços unitários; índice e variações | Decreto 7.983/2013 e Lei 14.133/2021 para obras públicas |
| INCC | FGV | Variação de preços de materiais, serviços e mão de obra da construção | Percentual de variação mensal e acumulada | Índice privado, escolhido em contrato |
A diferença prática cabe numa frase: CUB e SINAPI dão um valor em reais por m², úteis para estimar; o INCC dá um percentual de variação, útil para reajustar.
Diferença entre CUB e SINAPI
A diferença entre CUB e SINAPI está na origem e no uso: o CUB é o custo de projetos-padrão de edificação para o mercado imobiliário, e o SINAPI é o sistema de referência de custos para obras com recursos públicos, com milhares de composições e insumos por estado.
O CUB existe por força da Lei 4.591/1964. O artigo 54 obriga os sindicatos estaduais da indústria da construção a divulgar mensalmente, até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção da sua região, calculados pelos critérios da norma técnica, hoje a ABNT NBR 12721. Ele foi feito para incorporação imobiliária e não inclui vários itens, como fundações especiais, projetos, impostos e a remuneração do construtor. A lista completa do que fica de fora está na norma e nas publicações de cada Sinduscon.
O SINAPI é mantido pela Caixa, com pesquisa de preços do IBGE, como diz o Decreto 7.983/2013. A Lei 14.133/2021, no artigo 23, manda usar composições de custo menores ou iguais à mediana do SINAPI para estimar obras públicas de edificação. Além do custo médio do m², o sistema publica preços de insumos e composições de serviço no portal da Caixa, que muitos orçamentistas usam também em obra privada como referência.
INCC: o que é e para que serve
O INCC é o Índice Nacional de Custo da Construção, calculado pela FGV, e serve para medir quanto o custo de construir subiu ou caiu num período. Ele não diz quanto custa uma obra; diz quanto o custo variou.
É o índice mais usado em contratos de imóveis na planta e de obras de longa duração para corrigir saldo a pagar. A FGV publica mais de uma versão (como o INCC-M e o INCC-DI), com períodos de coleta diferentes, por isso o contrato precisa dizer qual delas vale. A série mensal está disponível no Banco Central (SGS, série 192) e nas publicações da FGV.
Os números de agosto de 2026
Em agosto de 2026, o custo médio do m² do SINAPI no Brasil foi de R$ 1.993,76, e o INCC subiu 0,66% no mês. Os dados abaixo vêm do IBGE (tabela 2296 do SIDRA) e da série 192 do Banco Central.
| Indicador | Agosto de 2026 | Setembro de 2026 |
|---|---|---|
| SINAPI, custo médio do m² (Brasil) | R$ 1.993,76 | R$ 1.999,73 |
| SINAPI, parcela de materiais | R$ 1.124,06 | R$ 1.127,17 |
| SINAPI, parcela de mão de obra | R$ 869,70 | R$ 872,56 |
| SINAPI, variação no mês | 0,44% | 0,30% |
| SINAPI, variação em 12 meses | 7,03% | 6,81% |
| INCC (FGV), variação no mês | 0,66% | 0,22% |
| INCC, acumulado em 12 meses (calculado a partir da série mensal) | cerca de 6,6% | cerca de 6,7% |
| CUB/m² | Consulte o Sinduscon do seu estado | Consulte o Sinduscon do seu estado |
O CUB não aparece com número porque não existe um CUB único que sirva para todo o país: cada estado publica o seu, por padrão de projeto. Para a sua obra, use o CUB do Sinduscon do estado, no padrão mais próximo do projeto, do mês mais recente. O custo da construção por m² por estado reúne as referências por UF num lugar só.
Quadro de decisão: qual índice usar em cada situação
O índice certo depende da pergunta que você quer responder. Estimar, orçar, reajustar e incorporar são quatro perguntas diferentes.
| Uso | Índice indicado | Por quê | Cuidado |
|---|---|---|---|
| Estimativa rápida na primeira conversa com o cliente | CUB do estado ou SINAPI custo médio do m² | Dão um valor por m² com fonte oficial | Não incluem tudo; diga que é ordem de grandeza |
| Orçamento detalhado de obra | Composições do SINAPI e cotações locais | Permitem quantificar serviço por serviço | O custo médio do m² não substitui o levantamento |
| Obra pública de edificação | SINAPI | Exigência da Lei 14.133/2021 e do Decreto 7.983/2013 | Seguir o regulamento do órgão contratante |
| Reajuste de contrato de obra privada | INCC (versão definida) | Mede a variação do custo do setor | Periodicidade mínima de um ano na regra geral |
| Incorporação imobiliária | CUB | Previsto na Lei 4.591/1964 | Regras próprias de reajuste e de incorporação |
Na dúvida, comece pela pergunta, não pelo índice. Para ir do custo por m² até o valor de cada etapa, use o guia sobre como gerenciar orçamento de obra.
Índice de reajuste de obra: como escrever a cláusula
Uma cláusula de reajuste boa diz qual índice, qual versão, qual mês-base, com que periodicidade e sobre qual parcela do preço ele incide. Sem esses cinco elementos, o reajuste vira negociação no meio da obra.
A Lei 10.192/2001 admite reajuste por índices de preços gerais ou setoriais em contratos com prazo de um ano ou mais e considera nula a cláusula de reajuste com periodicidade inferior a um ano. Contratos de incorporação e de financiamento imobiliário têm regras próprias, então peça ao advogado para revisar a cláusula conforme o tipo de contrato.
Roteiro da cláusula:
- Índice e versão. "INCC-DI, da FGV", por exemplo, e não só "INCC".
- Mês-base. O mês da proposta ou da assinatura.
- Periodicidade. Anual, contada do mês-base.
- Parcela reajustável. Só o saldo a executar, nunca o que já foi pago.
- Índice substituto. O que vale se o índice escolhido deixar de ser publicado.
Exemplo ilustrativo de reajuste
Os valores são ilustrativos. Uma empreitada de R$ 200 mil foi assinada em agosto de 2025, com reajuste anual pelo INCC. Em agosto de 2026, faltam R$ 120 mil de serviços. Com um acumulado de cerca de 6,6% em 12 meses, o saldo passa a R$ 127.920, um acréscimo de R$ 7.920. O que foi pago antes do aniversário não muda. O guia sobre contrato de empreitada mostra como essa cláusula conversa com as demais regras do contrato.
Prazo também é custo
O índice corrige o preço, mas não corrige atraso. Uma obra prevista para oito meses que dura doze atravessa a data-base do reajuste, e o saldo a executar fica mais caro para o cliente. Cronograma realista e acompanhado protege o preço tanto quanto uma boa cláusula.
O cronograma de obra por etapas é a ferramenta para isso: datas por fase, status atualizado e atraso visível cedo. No Cursivo, o cronograma do projeto é montado por etapas, com status automático (no prazo, atrasada, concluída) e percentual, e o cliente vê a mesma linha do tempo no feed do projeto.
Para a próxima proposta
Use o CUB do seu estado ou o custo médio do SINAPI só como ordem de grandeza na primeira conversa, deixando claro o que eles não incluem. Monte o valor real da obra a partir de composições e cotações. No contrato, escolha o INCC na versão certa, com mês-base, periodicidade anual e índice substituto. E consulte os números do mês na fonte oficial antes de cada proposta: eles mudam todo mês.
O Cursivo organiza cronograma, cliente e contratos com assinatura eletrônica num lugar só (o orçamento por composições segue na sua ferramenta de orçamento). Solicite seu convite.
Perguntas frequentes
O que é CUB na construção civil?
CUB é o Custo Unitário Básico de construção por metro quadrado, divulgado todo mês pelo Sinduscon de cada estado, conforme a Lei 4.591/1964 e a ABNT NBR 12721. Ele é calculado para projetos-padrão e serve de referência para incorporação e estimativas, sem incluir todos os itens de uma obra.
Qual é mais barato, CUB ou SINAPI?
Não dá para comparar direto, porque os dois medem projetos de referência diferentes, com métodos e itens diferentes, e variam por estado. Compare o CUB do padrão mais próximo do seu projeto com o SINAPI do mesmo estado e mês, e use os dois só como ordem de grandeza.
Posso reajustar o contrato de obra todo mês pelo INCC?
Na regra geral da Lei 10.192/2001, a cláusula de reajuste com periodicidade inferior a um ano é nula. Contratos de incorporação e de financiamento imobiliário têm regras próprias. Defina a periodicidade com ajuda de um advogado, conforme o tipo de contrato.
Onde consultar o SINAPI do mês?
O custo médio do m² e as variações estão no SIDRA do IBGE, na tabela 2296, por estado e para o Brasil. Os preços de insumos e composições ficam no portal do SINAPI no site da Caixa, com relatórios mensais por estado.
Fontes
- IBGE SIDRA, SINAPI tabela 2296 (custo médio do m², agosto e setembro de 2026)
- Caixa: SINAPI (insumos e composições)
- Banco Central, SGS série 192 (INCC, FGV)
- Lei 4.591/1964 (CUB, art. 54)
- Decreto 7.983/2013 (SINAPI como referência de custo)
- Lei 14.133/2021 (licitações, art. 23)
- Lei 10.192/2001 (reajuste de contratos, art. 2º)
- CBIC: portal do CUB/m² e Sinduscons




