Para saber quanto cobrar por visita técnica como engenheiro civil, multiplique o custo da sua hora pelas horas reais do trabalho (deslocamento, tempo no local e relatório), some despesas e a ART e acrescente o imposto. Em 2026, a ART isolada de um serviço de até R$ 15 mil custa R$ 108,39; numa ART de rotina, cai para poucos reais.
Por que tabela de preço não resolve
Quem procura "quanto cobrar por visita técnica" encontra dois tipos de resposta: um valor solto que alguém cobrou numa cidade qualquer, ou uma tabela de honorários antiga. Nenhum dos dois conhece o seu custo. Um engenheiro que trabalha sozinho, de casa, com carro próprio, tem um custo por hora muito diferente de um escritório com sala comercial, dois colaboradores e software pago.
As tabelas de referência, como a de honorários da ABENC que circula em versões publicadas por CREAs, servem como ponto de partida histórico e como argumento numa negociação. Mas elas não sabem quantas horas você gasta no trânsito, quanto custa o seu escritório nem quanto tempo leva para escrever um relatório decente. Preço que não parte do seu custo pode estar abaixo do que a visita custa para você, e você só descobre no fim do mês.
O que entra no preço de uma visita
Uma visita técnica tem mais horas do que parece. O tempo no local costuma ser a menor parte.
Horas de deslocamento, campo e relatório
Separe a visita em três blocos de tempo: ir e voltar, ficar no local e produzir o que vai ser entregue (relatório, fotos organizadas, orientações por escrito). Muita gente cobra só o tempo no local e trabalha de graça no carro e na escrita. Anote por algumas semanas quanto tempo cada bloco leva de verdade. Esse número é a base de tudo.
Despesas
Quilometragem, combustível, estacionamento e pedágio entram como despesa, separada das horas. Defina um valor por quilômetro que cubra combustível, desgaste e manutenção do carro, e aplique sempre. Visita em outra cidade pode incluir alimentação.
ART
Visita técnica remunerada é serviço profissional de engenharia, e todo serviço profissional de engenharia exige ART pela Lei 6.496/1977. Em 2026, uma ART isolada de serviço de até R$ 15 mil custa R$ 108,39 (Tabela A). Se a visita entra numa ART de rotina, o valor cai bastante: um contrato de R$ 800 fica na faixa de R$ 500,01 a R$ 1.000,00 da Tabela B, que custa R$ 4,27. A calculadora de valor da ART e da RRT mostra a faixa certa para cada valor.
Impostos
Se você emite nota, o imposto incide sobre o valor cobrado. O percentual depende do seu enquadramento (MEI, Simples Nacional ou outro regime) e do ISS do município. Some o percentual ao preço ou ele sai do seu bolso. Na dúvida sobre a sua alíquota efetiva, a resposta certa está com o seu contador.
Exemplo de cálculo passo a passo
Os números abaixo são ilustrativos, para mostrar o método. Troque pelos seus.
- Custo da sua hora. Some os custos mensais do escritório (pró-labore desejado, aluguel ou parte da casa, internet, telefone, software, contador, anuidade do CREA, que em 2026 é de R$ 704,51 para nível superior, e reservas) e divida pelas horas que você consegue faturar no mês. Suponha que isso dê R$ 120 por hora.
- Horas da visita. 1 hora de deslocamento ida e volta, 1,5 hora no local e 1,5 hora de relatório: 4 horas no total.
- Valor das horas. 4 horas vezes R$ 120 dá R$ 480.
- Despesas. 40 km a R$ 1,20 por km dá R$ 48. Estacionamento, R$ 20. Total: R$ 68.
- ART. Visita isolada, contrato até R$ 15 mil: R$ 108,39.
- Subtotal. R$ 480 + R$ 68 + R$ 108,39 = R$ 656,39.
- Imposto. Com uma alíquota ilustrativa de 6% sobre o preço final, o preço fica em cerca de R$ 698 (R$ 656,39 dividido por 0,94).
- Margem. O custo-hora do passo 1 já tem o seu pró-labore. Se quiser lucro além disso, aplique a margem antes do imposto.
Repare no peso da ART na visita isolada: quase 16% do preço. Quem faz visitas com frequência para o mesmo cliente ganha muito ao trabalhar com ART de rotina, que cobre vários serviços pequenos de um período.
O passo 1 é o que mais muda o resultado. Se você nunca calculou o seu custo por hora, use o método do custo-hora, que vale para engenheiros e arquitetos, ou a calculadora de valor da hora, que faz a conta em poucos minutos.
Visita avulsa, por hora ou pacote mensal
Existem três formatos, e cada um serve a um tipo de cliente.
- Visita avulsa com preço fechado: boa para o cliente que precisa de uma avaliação pontual. O preço do exemplo acima, com deslocamento e relatório incluídos, é fácil de entender e de aprovar.
- Por hora: útil quando o escopo é incerto, como uma investigação de patologia que pode levar uma ou três idas. Combine o valor da hora, o mínimo cobrado e o deslocamento à parte.
- Pacote mensal: para acompanhamento de obra, com um número fixo de visitas por mês. Reduz o custo de ART (uma ART para o contrato inteiro), dá previsibilidade de receita e facilita a agenda. Um pacote de quatro visitas por mês, no exemplo acima, sairia por menos do que quatro visitas avulsas, porque a ART e parte do relatório se diluem.
Como apresentar o preço na proposta
O jeito de mostrar o preço pesa tanto quanto o valor. Uma proposta de visita técnica clara tem quatro partes: o objetivo da visita (o que será verificado e por quê), o que está incluído (deslocamento, tempo no local, relatório com fotos e pendências, ART), o prazo de entrega do relatório e o valor, com a forma de pagamento. Quando o cliente entende tudo o que está incluído no preço, a pergunta "por que tão caro?" quase some.
Vale também dizer o que não está incluído. Ensaios, sondagens, retorno para nova verificação e projeto de solução são serviços à parte. Escrever isso evita que a visita vire, aos poucos, uma consultoria sem fim pelo mesmo preço. E, se o cliente pedir desconto, prefira reduzir o escopo (por exemplo, relatório mais curto) a reduzir o valor da hora.
E o piso salarial do engenheiro?
A Lei 4.950-A/1966 fixa a remuneração mínima de engenheiros contratados, e muitos profissionais a usam como chão de referência ao montar preço. Há, porém, decisões do STF sobre a forma de correção desse piso, e o valor em reais aplicável hoje depende de como essas decisões são lidas no seu caso. Por isso não vale converter o piso direto em preço de visita sem conferir a situação atual com o seu sindicato ou com o CREA. O custo-hora calculado a partir das suas contas continua sendo a base mais segura.
O que entregar depois da visita
O cliente paga pela visita, mas percebe valor no que recebe depois. Um bom relatório de visita técnica tem data e hora, clima, quem estava presente, o que foi verificado, fotos com legenda, pendências com responsável e prazo, e a recomendação técnica. Entregar isso no mesmo dia ou no seguinte é o que diferencia o profissional que o cliente chama de novo.
Registrar a visita também protege você. Se uma pendência apontada não for resolvida e virar problema, o registro com data e foto mostra que o alerta foi dado. O guia sobre como documentar a obra para o cliente mostra como montar esse registro sem perder horas.
Como registrar visitas e mostrar ao cliente
Relatório em arquivo de texto mandado por WhatsApp se perde na conversa. O cliente não acha a versão da semana anterior e você não acha a foto daquela fissura de dois meses atrás.
No Cursivo, cada visita fica registrada dentro do projeto com data e hora, clima, responsável, anotações, pendências, fotos e vídeos com comentários. Você escolhe se a visita fica só para a equipe ou se vai para o feed do cliente, que acompanha tudo por um link, sem precisar pedir atualização. O acompanhamento de obra que o cliente confia depende justamente desse histórico organizado.
Para montar o seu preço hoje
Calcule o seu custo por hora, cronometre as próximas três visitas nos três blocos de tempo, defina o valor do quilômetro e decida entre ART isolada e ART de rotina conforme o volume. Com esses quatro números, o preço deixa de ser chute e passa a ser conta.
Visita cobrada também precisa ser recebida. No Cursivo, cada visita entra na agenda da equipe e o valor entra no financeiro do projeto, com o resultado do mês no DRE gerencial. Para organizar as próximas visitas, solicite seu acesso.
Perguntas frequentes
Visita técnica precisa de ART?
Sim. Visita técnica remunerada é serviço profissional de engenharia, e a Lei 6.496/1977 exige ART para todo contrato desse tipo. Quem faz muitas visitas pequenas pode usar a ART de rotina, que reúne serviços de um período e custa bem menos por serviço.
Devo cobrar o deslocamento à parte?
Cobre sempre, seja à parte ou embutido no preço fechado. O tempo no trânsito é hora de trabalho e o carro tem custo por quilômetro. Deixar de fora significa pagar para visitar o cliente.
Quanto tempo deve durar uma visita técnica?
Depende do objetivo. Uma vistoria simples pode levar uma hora no local, enquanto a investigação de uma patologia pode pedir várias horas ou mais de uma ida. Por isso, em escopo incerto, combine valor por hora com um mínimo cobrado.
Posso abater a visita se o cliente fechar o projeto depois?
Pode, como estratégia comercial, desde que esteja escrito na proposta da visita. Diga que o valor será abatido se o contrato do projeto for fechado em um prazo definido, por exemplo 30 dias.




