Engenheiro civil não pode ser MEI. Os serviços de engenharia não estão na lista de atividades permitidas ao microempreendedor individual. Quem trabalha sozinho escolhe entre atuar como autônomo pessoa física ou abrir uma microempresa, em geral no Simples Nacional, com registro da empresa no CREA.
Por que engenharia não entra no MEI
O MEI foi criado para pequenos negócios de atividades simples, e a lista do que pode ser MEI é fechada. Ela fica no Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018 e pode ser consultada no Portal do Empreendedor. Quem não encontra a sua ocupação ali não pode se formalizar como MEI, por mais que fature pouco.
Os serviços de engenharia (CNAE 7112-0/00, que inclui projetos, consultoria técnica, laudos, vistorias e supervisão de obra) não estão nessa lista. O mesmo vale para outras atividades intelectuais regulamentadas por conselho, como arquitetura. A lógica é que essas profissões têm exigências próprias de registro e de responsabilidade técnica que não combinam com o regime simplificadíssimo do MEI.
Uma confusão comum: a lista do MEI tem várias ocupações técnicas ligadas a obra, como instalador hidráulico ou eletricista. Elas são ofícios, não serviços de engenharia. Abrir um MEI de instalador e usar esse CNPJ para emitir nota de projeto estrutural ou de laudo é enquadramento errado, e o risco aparece na fiscalização ou na hora de um cliente maior pedir a documentação.
As três alternativas para quem trabalha sozinho
| Formato | Como paga imposto | Burocracia | Quando costuma fazer sentido |
|---|---|---|---|
| Autônomo pessoa física | Imposto de renda pela tabela progressiva (carnê-leão), INSS como contribuinte individual e ISS do município | Baixa, sem CNPJ | Começo de carreira, poucos clientes, faturamento baixo e a maior parte vinda de pessoas físicas |
| Microempresa no Simples Nacional | Guia única do Simples, com alíquota que depende do anexo e do Fator R | Média, com contador e registro da empresa no CREA | Faturamento recorrente, clientes empresas que exigem nota de PJ |
| Sociedade | Simples ou outro regime, conforme o faturamento | Maior, com contrato social e acordo entre sócios | Dois ou mais profissionais dividindo clientes, custos e responsabilidades |
Autônomo pessoa física
É o formato mais simples para começar. Você recebe como pessoa física, recolhe o imposto de renda mensal pelo carnê-leão quando o pagamento vem de pessoa física, contribui para o INSS como contribuinte individual e se cadastra no município para recolher o ISS. As regras de ISS para autônomos variam muito de cidade para cidade; algumas cobram um valor fixo por ano, outras cobram sobre o serviço.
O problema aparece quando o faturamento cresce. Como o imposto de renda da pessoa física é progressivo, a partir de certo ponto a carga fica mais pesada do que a de uma empresa no Simples. E muitas empresas contratantes preferem, ou exigem, nota fiscal de pessoa jurídica.
Microempresa no Simples Nacional
É o caminho mais comum quando o trabalho fica recorrente. Os serviços de engenharia podem ser tributados no Anexo III ou no Anexo V do Simples, e quem decide é o Fator R: a relação entre a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) e a receita dos últimos 12 meses. Com a folha alta em relação à receita, o enquadramento costuma ir para o anexo mais barato. O cálculo exato e a escolha do pró-labore que otimiza o Fator R são trabalho para o seu contador, porque dependem dos seus números. O guia sobre quanto de imposto paga um arquiteto no Simples Nacional mostra a mecânica do Fator R com exemplos, e ela é a mesma para engenharia.
Sociedade
Quando dois engenheiros, ou um engenheiro e um arquiteto, trabalham juntos com frequência, uma sociedade pode organizar a divisão de receitas e custos. Ela traz mais formalidade: contrato social, definição de quem administra e regras para a saída de um sócio. Vale a pena quando a parceria já é real, não como aposta.
Registro da empresa no CREA e responsável técnico
Abrir o CNPJ não basta para uma empresa de engenharia. A Lei 5.194/1966, no artigo 59, determina que empresas que executam obras ou serviços de engenharia só podem iniciar as atividades depois de registradas no CREA, junto com os profissionais do seu quadro técnico. Na prática, o engenheiro dono da empresa costuma ser também o responsável técnico dela, com uma ART de cargo e função.
Esse registro tem custo. Em 2026, o registro principal de pessoa jurídica no CREA custa R$ 324,63, segundo a tabela de serviços publicada pelo CREA-MT a partir da decisão do Confea, além da anuidade da empresa, que varia conforme o capital social. Some isso ao custo do contador quando comparar com o formato de pessoa física.
O sinal de que chegou a hora do CNPJ
Não existe um número mágico, mas alguns sinais aparecem juntos:
- O faturamento ficou recorrente e o imposto como pessoa física já pesa mais do que pesaria no Simples. Peça ao contador uma simulação com os seus números dos últimos 12 meses.
- Os clientes são empresas que pedem nota fiscal de pessoa jurídica ou que retêm imposto de quem é pessoa física.
- Você vai contratar alguém, mesmo que seja um estagiário ou um desenhista, e precisa de estrutura para isso.
- Licitações e contratos maiores entram no radar, e eles exigem empresa registrada no CREA com responsável técnico.
Se dois ou mais sinais já aparecem, a conversa com o contador deixou de ser cedo demais. O texto sobre quando e como abrir a empresa do escritório traz o passo a passo, escrito para arquitetos mas com a mesma lógica para engenheiros. E o guia sobre o que o contador resolve e o que fica com você ajuda a escolher e a trabalhar bem com o contador.
E o arquiteto, e o técnico em edificações?
A resposta para o arquiteto é a mesma: arquitetura também não está na lista do MEI, e as alternativas são parecidas, como mostra o texto sobre a mesma pergunta para arquitetos. Escritórios que reúnem engenheiro e arquiteto costumam acabar numa microempresa ou numa sociedade, com registro nos dois conselhos quando a empresa atua nas duas áreas.
Para o técnico em edificações e outros técnicos industriais, a situação depende da ocupação exata. Algumas atividades de execução estão na lista do MEI; serviços técnicos que pedem responsabilidade registrada no CRT, em geral, não. Antes de abrir qualquer CNPJ, procure a sua ocupação no Portal do Empreendedor e confirme com o CRT do seu estado o que a sua modalidade pode assinar.
Um último cuidado vale para todos: o CNAE escolhido precisa descrever o que você realmente faz. Enquadramento "parecido", só para caber num regime mais barato, costuma sair caro quando um cliente maior, uma licitação ou a própria Receita pedem coerência entre o CNPJ e o serviço prestado.
Organizar a operação desde o primeiro cliente
O enquadramento tributário é uma decisão de uma tarde. A organização da operação é de todo dia, e ela pesa tanto quanto o imposto no resultado do mês: projeto atrasado vira retrabalho, visita sem registro vira discussão, cliente sem notícia vira ligação fora de hora.
Quem começa sozinho tende a guardar tudo na cabeça e no WhatsApp. Funciona com dois clientes e quebra com cinco. Montar desde o início um lugar para os projetos, as etapas, os arquivos e as visitas economiza horas mais tarde. No Cursivo, o template "Engenharia e obra" já traz as etapas de um trabalho de engenharia, e o feed do cliente mostra o andamento sem você precisar mandar mensagem a cada passo.
Antes de decidir
Some quanto você faturou nos últimos 12 meses, separe quanto veio de pessoas físicas e quanto de empresas, liste os custos fixos e leve esses números ao contador para comparar pessoa física e microempresa no Simples. Seja qual for a escolha, coloque os impostos no preço do seu serviço: a calculadora de valor da hora ajuda a transformar custo e imposto em valor por hora.
O Cursivo organiza projetos, cliente e financeiro num lugar só, o que ajuda a ter o faturamento à mão quando for conversar com o contador. Comece pelo plano grátis.
Perguntas frequentes
Posso abrir MEI em outra atividade e trabalhar como engenheiro?
Não para a atividade de engenharia. O CNPJ do MEI só pode emitir nota das ocupações em que está registrado. Usar um MEI de instalador ou de outra ocupação para faturar projetos, laudos ou consultoria é enquadramento errado.
Engenheiro autônomo paga ISS?
Paga, ao município onde está cadastrado ou onde presta o serviço, conforme a regra local. Cada cidade define como o autônomo recolhe o ISS: algumas cobram um valor fixo por ano, outras um percentual sobre o serviço.
Quanto custa manter uma microempresa de engenharia?
Some o contador, o registro e a anuidade da empresa no CREA (o registro de pessoa jurídica custa R$ 324,63 em 2026), as taxas municipais e o imposto do Simples sobre o faturamento. Compare esse total com a carga como pessoa física antes de decidir.
Empresa de engenharia precisa de responsável técnico?
Sim. Pela Lei 5.194/1966, a empresa que executa obras ou serviços de engenharia precisa ser registrada no CREA com os profissionais do seu quadro técnico. Em geral, o engenheiro dono é o responsável técnico, com ART de cargo e função.




